
Tudo era a mesma rotina, seus desejos e anseios sempre conflitando-se, mas ambos impedindo-a de ter finalmente seus pés no chão.
Existia um mirante que tanto lhe dava calma. Ele a maravilhava, pois havia lá o encontro do céu com o mar. “É bem apertadinho”, dizia ela, “mas está lá! Eu vejo! Você não vê?” .
Um dia, um dia bem qualquer daqueles em que você se pergunta o porquê do mundo ser tão bege, lhe surgiu uma epifania. “Entre o céu e o mar... lá estou eu de verdade!”. E lá se foi desvairadamente se encontrar com suas duas paixões: o mar e o ar.
Tantas aventuras, tantos casos a contar, tantas pessoas conheceu... mas nada a fazia chegar aonde queria. E lá se vão mais aventuras, e lá se vão mais e mais desafios, lá se vão mais pessoas... ela não chegava aonde queria.
Cansada, frustrada, desmotivada, ela voltou... e se deu conta de que as paixões da vida são feitas daquelas bolhinhas de sabão de quanto éramos crianças: quanto mais se pula para alcançá-las, mais alto elas vão... não duram pra sempre.